Pausa nos Estudos

28 Novembro 2009 by

Como o próprio título do post diz, período de estudos. Nas próximas 3 semanas todas as energias estão direcionadas aos estudos. Fato é que aqui na Itália a universidade é bem mais puxada que na Suécia. Ainda não cheguei a conclusão se a dificuldade está no nível de ensino ou somente na forma em que os cursos são organizados.

Na Suécia temos 4 cursos por semestre sendo que o semestre é dividido em dois bimestres. No primeiro bimestre dois cursos correm em paralelo e os outros dois no segundo bimestre, desta forma há dois períodos de provas e de trabalhos em grupo.
Na Itália os 4 cursos correm em paralelo, o que significa tudo acontece no fim do semestre; todas as provas e trabalhos.

Eu prefiro o sistema sueco em que podemos nos concentrar mais e não deixamos tudo pro final, o que considero natural do ser humano. A lei do não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje não é lá muito seguida por qualquer estudante, mesmo os bem aplicados. Por mais que eu tenha tentado me programar é fato que estou com um acúmulo imenso de coisa para fazer. De acordo com minhas contas se eu fosse ler tudo que tenho que ler, precisaria de 3 meses e tenho apenas duas semanas. Molto Bene!

Sendo assim o jeito é ser eficiente e tentar acertar o que é importante ou não. 4 provas em 5 dias… isso é o que me espera de 14 a 17 de dezembro.

Junto com tudo isso está a ansiedade de viajar pro Natal e Ano Novo na República Tcheca e é claro, o que me causa mais ansiedade e não sai da minha cabeça: a visita ao Brasil em Janeiro.

Mais ou menos 1 ano e meio que não vejo minha família, ao menos vi minha mãe em Abril e vi meu irmão algumas vezes, o que deu pra abrandar um pouco a saudade.

As vezes bate uma saudade louca de coisas simples, principalmente do aconchego do lar e da comidinha boa que temos no Brasil. Não posso reclamar da comida na Itália que é sem dúvida a melhor da Europa, mas o tempero de casa não tem jeito. Um amigo meu sempre diz que a única comida que a gente nunca enjôa é a comida da mãe. E é verdade, pode ir no melhor restaurante do mundo, se você for todo dia, vai enjoar… fato. Em geral a saudade é o que pega. Mas como é sabido, não dá pra se ter tudo ao mesmo tempo na vida.

Se volta para o Brasil vai morrer de saudade da Europa, se está em Milão morre de saudade da Suécia, e com certeza vou sentir saudade do vinho de 1 euro italiano e das pizzas maravilhosas por aqui. Mas nesse momento tenho até sonhado em ir pra praia. 2 anos sem verão faz a gente até esquecer o que é estar suar sentada na sombra.
Eu estou aqui escrevendo somente para procrastinar meus estudos essa noite.

Tenho que voltar para meu artigo da influência de organizações não governamentais na forma como é feita a política pública… sim sou retardada e sou a única intercambiária que escolheu fazer um curso louco de ciências sociais mesmo sendo estudante de Tecnologia da Informação… como minha faculdade de engenharia, quem sabe um dia não vai ser útil… e mais… é sempre interessante sair da sua área de conforto, infelizmente ando estudando muito essa bendita matéria já que na verdade não sei nada. É como estudar logaritmos sem nunca ter feito uma soma.
É ruim mas é bom… a gente sofre mas se diverte.

Tá bom pra relaxar e escrever um pouco em Português, voltamos agora para a língua do Tio Sam.

O que veio e o que há por vir

21 Novembro 2009 by

Começa agora a contagem regressiva do últimos 30 dias na Itália. Aconotação de regressiva aqui é totalmente ligada ao fato de que eu não vejo a hora de ver esse dever cumprido. É até chato reclamar, mas no fim das contas, o objetivo de cursar a terceira melhor business school da Europa será realizado com louvor. Tudo bem que estou dando o sangue de tanto estudar. Afinal quem mandou a engenheiras ser metida a querer fazer matéria de Sociologia… vai… como diria minha avó; quem não tem competência não se estabelece!

Enfim… o que valeu mesmo vir pra cá morar em Milão foi ter feito a viagem da semana passada. Eu, a Drics, e a Malu alugamos um carro e fizemos os seguinte percurso:

Milão > Genova > La Spezia > Riomaggiore > Lucca > Pisa > Santa Croce Sull’arno > Florence > Roma e Vaticano > Ancona > San Marino > Bolonha > Ímola > Maranello > Milão

Loucura né… foi um giro de uma costa a outra da Itália. Tenho até vontade de contar as aventuras, foi uma atrás da outra … e quando tudo parecia ter ido pro espaço… lá vinha uma boa piada. E acabava com a tensão.

Enfim… resumindo em alguns poucos tópicos.

Não há um lugar pra se comer na Europa como a Itália… qualquer butequinho que você entre tem seu charme… tudo arrumadinho, toalhinha, e boa comida… até em beira de estrada. Nada de mesa de plástico-cola-braço-da-skol. Phynesse.

Roma é qualquer coisa fora de escala. Não existe nada tão grandioso, com uma bagagem histórica, um ambiente imponente, uma coisa de louco. Você anda pela rua e de repente surge um monumento do tamanho de um prédio de 27 andares… sabe … não dava pra assimilar a belezura e já tinha outro monstruoso monumento na sua frente.

Vaticano é fenomenal, tivemos a sorte de fazer um tour de graça onde o guia que era seminarista contava cada detalhe… mais de duas horas de tour e podiam ser 5 tamanho o número de detalhes da Catedral de São Pedro. É tão fenomenal que nenhuma foto pode descrever e muito menos eu contando historinha posso falar. Não pode deixar de ir antes de morrer…

Rio Maggiore e La Spezia fazem parte de um conjunto de cidades na beira do mar chamadas de Cinque Terre… foi ótimo ver a paisagem. É cheio de turistas no verão. Um charme as casinhas coloridas incrustadas nas montanhas.

Bolonha… passamos pra comer e já tava tudo fechado. De passear de carro achei horrorosa. A Malu disse que volta… se me pagarem quem sabe? Só se for pra comer carne de cavalo, o prato típico da região. Descobri que é comum comer cavalo na suécia também mas ele não usam a palavra cavalo pra não assustar.

Fui pra Imola ver onde o Senna morreu e pra Maranello onde é a fábrica da Ferrari. Fiquei com raiva do povo fanático que deixa carta como e o Ayrton Senna fosse santo… a malu lue uma carta lá… deu vontade de desistir do ser humano.

San Marino é sensacional… ficamos pouco tempo mas só de ver o Castelo na ponta do topo da montanha… me senti privilegiada. Fora isso é invadido de brasileiro. O hostel que ficamos era de brasileiros, cheio de brasileiros… muito legal.

Fiz a melhor refeição da Europa em San Marino… um Gnoche com tinta preta do polvo ao molho de frutos do mar… e de sobremesa uma Panna Cotta com frutas do bosque. Não tinha nem palavras… e o melhor é que não foi caro.

Florence foi um pouco decepcionante porque estava chovendo e sei lá… eu tinha muito expectativa. A frase oficial da viagem foi: “O segredo é não criar expectativa”. Mas é bonita demias. O duomo é mara… e tem o David e uma série de estátuas peladas. Ponto alto é na Piazza Mchelangelo a noite e ver a cidade lá de cima toda iluminada.

Lucca vale seu 30 minutos. Valeu mais pela aventura de ter passado a noite numa fazenda. Nem entro em detalhes tamanha foi a aventura de chegar a noite numa fazendo no meio do nada. Só por deus mesmo.

Pisa… 1 hora e meia tirando fotos tentando segurar a torre.

Melhor foi chegar em Santa Croce na casa da minha amigona Clara e encontrar a roupa de cama mais linda que eu vi na minha vida. Depois de uma noite de cão. E ainda provar o verdadeiro macarrão Carbonara [mara.

Companhias; como sempre, fica até redundante falar que as companhias fazem toda as diferença numa viagem. E como foi bom. Era risada o dia todo, e obedecemos a regra que sempre uma das três deveria pensar… não precisava todo mundo pensar junto… hehehe… mas a regra evitou diversas furadas. Inesquecível!

Enfim… salvou os seis meses aqui na Itália. Outras observações sobre o italiano; nunca vi serem tão nojentos e mexerem tanto com mulher na rua. Nunca vi serem tão mal educados e furarem tudo quanto é fila e não respeitarem ninguém no trânsito. Nunca vi um povo mais prestativo… como gostam de explicar o caminho e de ajudar. Foi ótimo abordar todos em italiano e só falar italiano com eles. Eles se sentiam muito felizes que eu falava e entendia o italiano.

Fotos em breve no Picasa… to com preguiça de colocar hoje.

Enfim… notícias do Azul

13 Novembro 2009 by

Há mais de um mês eu estava conversando com a Dé no MSN e resolvemos tentar reviver o blog, até então não tem funcionado, não é culpa minha, e nem de ninguém. A vida vai acontecendo, passando, muita coisa na cabeça e acabamos esquecendo!

Bom, vou tentar começar a falar um pouco do que está acontecendo comigo, acho que muita gente nem sabe onde estou morando. Mas há 2 meses eu cheguei em Newcastle Upon Tyne, uma cidade no norte da Inglaterra, há uma hora da fronteira com a Escócia (não sabe onde fica vê no google, adorei, huhu). Não estou aqui pelo mesmo motivo que a Dé está em Milão, não foi uma opção minha sair da Suécia, e sim a continuidade do meu mestrado, que é entre a faculdade sueca e a inglesa, que estou estudando agora. Eu vim pra cá sem nenhuma espectativa, não esperando gostar, mas sem sofrer, já que eu ficaria só por 3 meses, e depois retornaria a Suécia onde faria minha tese do mestrado. Mas já na primeira semana eu já adorava Newcastle, o povo daqui é simpatico, sorridente, amigável… diferentemente de Londres onde ninguém olha pra sua cara, e onde ninguém é inglês. Aqui é possível notar todas as característica da cultura inglesa, tanto as boas quanto as ruins. Enfim, dá pra sentir que você está mesmo na Inglaterra.

Além de tudo a cidade é muito bonita, fica nas margens de um rio, o Tyne (daí o nome Newcastle Upon Tyne), tem várias pontes, edifícios antigos, e o mais importante, muita vida. Mesmo sendo menor que Gotemburgo (onde eu morava na Suécia), Newcastle parece muito maior. O centro é sempre movimentado, muitas lojas, shoppings, restaurantes. Talvez também pela diferença cultural entre ingleses e suecos, aqui o povo é mais consumista, se diverte mais, sai mais de casa. E o principal fato pelo qual hoje posso dizer que gosto mais daqui do que da Suécia, é que o povo interage com você. Já tenho amigos daqui, as pessoas conversam com você nos bares, mercados, nas ruas… e como eu falo a língua, me sinto mais inserido na sociedade.

Estou morando aqui com outros 4 amigos do meu mestrado, a minha sala toda veio estudar aqui esse semestre. Moro com a Monica (Rep. Dominicana), Carina (Suécia), Sandra (Suécia) e o Stelio (o grego). A gente se diverte muito em casa, somos todoso meninos bestas, 24 horas por dia. A casa é enorme, tem 6 quartos, todos temos cama de casal, tem 2 banheiros, cozinha e sala de estar. É uma daquelas casinhas bem inglesas, todas geminadas e iguais. Tem 3 andares, sim, uma loucura! Um ponto ruim de Newcastle é que o transporte nao chega nem aos pés do da Suécia, mas o bom é que temos caminhado muito, tanto para ir pra aula quanto para ir para a cidade, o que leva cerca de 50 minutos.

Voltando ao meu master, a partir de Janeiro devemos começar a escrever nossas teses. Eu, precipitadamente, já tinha me organizado para voltar pra Suécia, como disse antes, não esperava muito de Newcastle, então já tinha arrumado orientador e até mesmo uma empresa para desenvolver a tese, mais ou menos como um estágio. A empresa seria a Tetra Pak, porém nos últimos meses estavam me deixando preocupados, já que demoravam muito tempo para responder simples e-mails. E nessa semana me enviaram um e-mail cancelando tudo, dizendo que não teriam tempo para me auxiliar na tese. Fiquei muito surpreso, jamais esperaria uma atitude dessas de uma compania global como a Tetra Pak, me deixaram esperando por 5 meses para cancelar agora, que eu já tinha tudo programado, tema, orientador… enfim. Não posso dizer que fiquei triste, mas fiquei decepcionado. Agora realmente não tenho mais nenhum motivo para voltar pra Suécia, mudar tudo de novo pra lá e recomeçaro do zero num país onde ainda não sei a língua e dificilmente arrumaria um emprego. Eu poderia tentar alguma outra empresa sueca, mas eu acho que não é o que quero fazer, mas por enquanto estou esperando a resposta do meu orientador.

Enfim, a vida está passando muito rápido, em meio a muitas correrias e mudanças. Mas eu estou curtindo, e sei que no final tudo se encaixa. Agora tenho uma semana para tomar decisões importantes. Espero voltar a escrever logo com novidades.

Duas Semanas de Loucura

27 Outubro 2009 by

Nas duas últimas semanas curti tudo o que eu não curto em Milão: amigos, festas, cerveja e felicidade. Tudo bem que nos últimos 3 dias eu estudei como louca pois tive minha primeira prova na Bocconi, mas começamos pelas coisas boas.

Duas semanas atrás encontramos todos os amiguinhos da arquitetura e eu que sou engenheira, como surpresinha o Azul trouxe o Stelios, um grego menino tãop besta como a gente. Eu já tinha viajado com ele na viagem pelo mar Báltico, já conhecia a peça e então fiquei feliz em revê-lo também.

Ai como foi bom… sem palavras… como é bom ver os amigos, parecia que estávamos em Bauru, tirando que estava frio e estávamos em Dublin. Mas o ambiente descontraído as piadinhas estavam afiados como se tivessemos nos visto semana passada. Eu fui a última a chegar e fui com a mala pra balada… muita inconveniência… mas foi bom mesmo assim… tirando que uma cerveja custava 6,20 euros… o resto tava ótimo. No total de bestas eram Eu, Azul, Beethoven, Poli, Doris (Erica), Malu, Stelios… foi bom demais. A cidade é bonita, mas não me impressionou tanto, vale por visitar a fábrica da Guinness que é simplesmente sensacional.

Cheguei de Irlanda doente e tinha dois dias pra ficar boa porque iria pra República Tcheca, visitar a Helena minha amiga que mora em Opava, uma cidade na fronteira com a Polônia (não sabe onde é olha no Google e aprende). Comprei gengibre e tomei tanto chá que tava boa suficiente pra festar. A República Tcheca é um paraíso. Tudo é barato, o povo é ótimo, a cerveja só perde da belgica e eles são muito festeiros. No mais eu me sinto em casa porque a família da Helena me adotou e eu tenho até que visitar os avós delas todas vez que vou lá. É ótimo eles fazem comidas que eu quase morro… e sempre tem alcool envolvido. Na Rep Tcheca se você não come e bebe como um porco é falta de edução. Enfim, depois de balada, casa dos avós, jantar com a familia e finalmente buscar minhas roupas de inverno que estavam lá desde junho e voltei chorando pra casa. Não queria de jeito nenhum voltar pra Milão… sabe… visitar uma cidade é uma coisa… morar é outra… eu não me adaptei e é isso!

O que me fez muito feliz é que cheguei na terça e na sexta já tava indo viajar de novo. Fui pra Verona, a cidade do Romeu e da Julieta… do Shakespeare… ninguém sabe se eles existiram mas tem a casa da Julieta, a casa do Romeu, a sacadinha que o Romeu pulou pra dar beijinho na Julieta e até mesmo a cama dela… aquela que o romeu tirou uma sonequinha! Escrevi um recadinho no muro da Julieta, todo mundo diz que dá sorte no amor… veremos! Mas tirando Romeu e Julieta eu fui mesmo pra Verona pra assistir uma ópera com o Andrea Bocelli que eu adoro. Gente… muita phynesse.

Alugamos um carro e eu dirigi até verona chegamos na hora do almoço andamos pela cidade toda, tava um tempo ruim de chuva, uma penas… mas foi bom mesmo assim. Fomos eu, a minha rommate Anna (russa), o Atílio um brasileiro que é intercambiário aqui e o único que eu conheci que achei legal e a Karin uma menina louca de Israel que tem vários parafusos a menos… por isso, é claro, chamei ela. Depois de andar pela cidade LINDA, jantamos num restaurantezinho onde comi o melhor spaghetti alle frutti di mare da minha vida… Encontrei um amigo australiano, hindu (usa turbante) que conheci em Machu Picchu e agora vive em Roma e fomos todos juntos ver o Bocelli.

Sabe, nunca tinha ido numa ópera. Foi mágico. Me achei super fina e curti o momento. Demorou mais de meia hora pro Bocelli cantar. Eu estava ansiosa demais. Quando ele abriu a boca… deus do céu que emoção… lindo demais… e tinha outro cantor com ele que era fantástico (e na verdade era até melhor que o Bocelli). Eu ficava só olhando pro Teatro Filarmônco de Verona… aquele luxo… e não conseguia pensar como eu cheguei ali. A vida é muito louca né. E eu podia estar na Serasa rica… e hoje sou pobre na ópera… que felicidade…

Infelizmente voltamos pra Milão (odeio)… logo cedo no outro dia devolvi o carro e comecei a sequência de 3 dias de estudo. Estou fazendo uma matéria que faz parte do mestrado de sociologia. Eu sou a única estudante de intercâmbio numa classe de 200 alunos. Todo mundo me acha exótica porque ninguém no mundo escolheria esse curso. Eu achei interessante (e tinha 12 créditos também, o que é o dobro de um curso normal). No fim passei 3 dias estudando a evolução da família medieval européia, batismo e casamento na idade média entre outros temas ilustres que influenciam a ida até hoje. Loucura.

A prova foi hoje e eu fui mais ou menos… acho que será meu pior resultado desde de que cheguei na Europa. Bom estudar sociologia uma vez na vida… e ter certeza que fez a coisa certa fazendo engenharia!

Agora estou livre… uma semana de férias… o Erik e alguns amigos vem me visitar e passar uma semana aqui em Milão. Provavelmente vamos cozinhar e beber vinho o tempo todo! Bom ter amigos por perto pra alegrar a vida…

Próximo destino: De Milão a Roma com as duas índias; Malu e Drics.

Fotos das viagens em breve no Picasa.

Willkommen | Ich bin in Berlin

8 Outubro 2009 by

Em minha primeira postagem no Norteando, preciso agradecer à Debora e ao Douglas (quanta formalidade) pela gentileza de me convidar para ser um colaborador deste espaço que acompanhei desde o começo. Espero enriquecer o blog com textos interessantes que informem e que transmitam a idéia do que é cruzar o Atlântico para ser um cidadão do mundo aberto a novas experiências, novos hábitos e uma nova vida.

É incrível imaginar que há meses atrás eu estava ainda no Brasil acompanhando os passos de vocês, desde a escolha das universidades, o envio dos documentos, a ansiedade e expectativa da espera dos resultados, a alegria em ser aprovado, a viagem, as novidades… as inúmeras novidades, alegrias, percepções, impressões, experiências que enriqueceram e mudaram cada um de vocês para melhor.

E agora estou aqui na Alemanha. Nesse primeiro post quero tentar descrever as primeiras impressões que tive nesta primeira semana em Berlim. A cidade é extremamente viva, muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo como, por exemplo, exposições, festivais, shows, manifestações, festas, eventos esportivos… Aqui ruínas do Império Romano-Germânico disputam espaço com igrejas e castelos da Idade Média, as tristes e eternas lembranças do Terceiro Reich e a posterior divisão do país rodeadas por edíficios fascinantes e contemporâneos.

A impressão que tenho é que com a queda do muro há 20 anos atrás a reunificação física de Berlim realmente ocorreu, porém paira no ar o desejo de uma reunificação em um nível abstrato e subjetivo que talvez não aconteça jamais. Berlim é uma cidade sem  unidade. A sensação ao se andar pela cidade é que inúmeras barreiras ainda existem. A abertura das fronteiras para a União Européia criou uma cidade ainda dividida, porém receptiva a diferentes povos e culturas, por isso Berlim mesmo sem uma unidade possui um aspecto acolhedor muito interessante.

Desde que cheguei estou andando muito à pé pela cidade, pois estou a procura de um quarto em uma WG (Wohngemeinschaft) – como eles chamam as “repúblicas” de estudantes. Ainda não encontrei meu lugar, mas estou com esperanças de que não passará da semana que vem. Dentre os habitos curiosos: sempre ao chegar a casa de alguém deve-se tirar os sapatos e deixar em um pequeno ármario que fica no hall de entrada de todos os apartamentos. Ontem fui a um encontro de amigos e todos dentro do apartamento estavam bebendo cerveja de meias. Todos sempre reclamam da frieza e impessoalidade do povo alemão, mas por enquanto não tive problemas com isso, pelo contrário, todos foram muito gentis comigo.

Amanhã sigo para Dublin para encontrar a Malu, Érica, Poli, Azul e Débora. E estamos apenas começando!

Liebe Grüße!

Um Pouco de Milão

5 Outubro 2009 by

Digamos que a Itália é muito mais familiar aos brasileiros que a Suécia… É fato Itália tem muito mais incomum com o Brasil do que a Suécia, seja isso uma coisa boa ou ruim, depende de cada um.

Pessoalmente a sensação que tive foi de chegar num Brasil com mais de mil anos a mais de história. Não vou generalizar a Itália por Milão, mesmo sabendo que Milão está para Itália assim como São Paulo está para o Brasil. Mas o que posso dizer é que encontrei aqui coisas que tinha esquecido que existiam na Suécia. Entre elas burocracia, filas, trânsito, transporte público ruim, comida boa, frutas e verduras saborosas, pessoas se xingando na rua, voz alta, bebida alcoólica em supermercado, vinho a 1 euro, sol, estudantes metidos entre outras. Como é possível perceber tem sempre algo bom e ruim… mas o que me faz falta são as pessoas.

Em Jönköping eu tinha uma centena de amigos, conhecia todo mundo, estava confortável, vivia com estudantes, sempre rodeada de gente, sempre com festas e coisas pra fazer. Aqui é diferente… não tem amigos, vivo com italianos que não são estudantes, não saio a noite porque é incrivelmente caro e só penso em viajar, já que temos um aeroporto com vôos baratíssimos para todos os cantos da Europa.

A parte boa foi a faculdade. Não é a toa que a Bocconi é uma das universidades mais famosas da Europa é simplesmente espetacular. Algumas vezes não acredito que estou tendo uma aula tão boa. É incrível o nível dos professores… os alunos não são muito lá essas coisas… mas os professores sim. Adoro!

Pois é… sinto muita falta da Suécia mas estou feliz aqui. Vivo num apartamento muito bem localizado, só 5 minutos andando da faculdade e 15 do Duomo. Vivo com 5 italiano divertidos e loucos e uma menina russa que também estuda em Jönköping e divide o quarto comigo. Ela é uma fofa, vivo numa paz de espírito que é o mais importante e aproveito muito a oportunidade de estudar num universidade que custa 1500 euros ao mês de graça!

Enfim… esse post é mais para dar uma visão geral da minha vida aqui em Milão. Para ver algumas foto entre no meu álbum de fotos no Picasa:

Recomeços…

3 Outubro 2009 by

Qual seria a graça da nossa vida se não fossem os recomeços? Concordo que é muito mais tranquilo quando estamos na inércia do dia-a-dia. Mais difícil ainda é quebrar uma rotina que não é ruim. Forçar um recomeço somente porque mesmo a vida estando boa, não está espetacular. E é isso que eu desejo aos amiguinhos que partem hoje do Brasil… momentos ESPETACULARES!

Hoje Doris (Erica), Poli (Poliana) e Tia Juba (Beethoven, Thiago) recomeçam. Poli e Doris têm a vantagem de estarem juntas em Londres. Beeth segue sozinho para Berlin em busca de mais conhecimento e um maravilhoso mestrado por vir.

Eu desejo aos amiguinhos quase o mesmo que o Azul. Desejo que vivam muito; lembrando que viver é um ato repleto de dor e de alegria. Porque sem dores a alegria não recebe o devido valor e sem alegria… aí não dá … e a gente é muito alegre… sem alegria não há vida. Como o Azul disse,  eu não consigo colocar nesse pouco mais de um ano tudo o que eu aprendi aqui, como o meu mundo ficou mais amplo, como eu percebi que o mundo é diferente, repleto e diverso. Que vocês aprendam muito mais que novas línguas e que conheçam mais do que pessoas de outros países. Mas que, sobretudo, aprendam novas culturas e consigam descobrir quanto diferente é o seu “certo e errado” do “certo e errado” dos outros.

A felicidade de ter os amiguinhos por perto é tão imensa. De saber que estamos todos caminhando e que muito há por vir nessa vida louca. Mas que ao mesmo tempo nossas vidas continuam se cruzando e que mais do que tudo não deixamos de ser os estudantes da Unesp Bauru… mas evoluímos muito e amadurecemos. Não temos mais os rostos de adolescentes mas com certeza, cada dia mais, evoluímos para sermos melhores pessoas, seres humanos, profissionais, amigos, filhos, irmãos e tantos outros papéis que desempenhamos. Eu sou extremamente orgulhosa de estar rodeada de pessoas como vocês!

Semana que vem, felizmente darei um abraço apertado em cada um dos amiguinhos pois nos encontraremos em Dublin. Sem contar o Azul, não os vejo desde que deixei o Brasil… mesmo que a tecnologia ajude muito no contato quase que diário, ouvir o som da risada de cada um será sem dúvida maravilhoso.

Nesse um ano e dois meses que estou aqui na Europa eu posso dizer que não teve um dia sequer que eu não acordei e me senti feliz por estar aqui (mesmo quando acordava de ressaca, depois de querer morrer… ficava feliz porque a ressaca era aqui). Como resultado da minha trajetória eu tenho muitos amigos, novos e inesquecíveis dos quais já sinto muita falta. Já morei em 3 países diferentes; Suécia Inglaterra e agora Itália, e amei e odiei muita coisa em cada um deles. Já sinto falta do que vivi em cada um desses lugares assim como sinto falta do Brasil… isso prova que sempre há saudade e sempre haverá um lugar ótimo que eu ainda não conheço. Os que eu já passei são:
Viagens_Dé

Foram 15 países e muita felicidade: Suécia, Finlândia, Estônia, Letônia, Dinamarca, Alemanha, Holanda, Bélgica, França, Espanha, República Tcheca, Eslováquia, Polônia, Inglaterra e Itália

Vamos renovar o blog e continuar Norteando…

3 Outubro 2009 by

Ano letivo novo, blog novo!

A Dé teve ontem uma ótima idéia, para reviver nosso blog resolvemos convidar outros amigos para escrever, amigos que estão vivendo situações parecidas com as nossas.
O tempo passou e nem eu e nem a Dé estamos mais na Suécia. Eu estou no norte da Inglaterra e a Dé na Itália!
Dos novos membros do blog, a Malu está na Irlanda, a Poli e Érica embarcam hoje para Londres junto com o Thiago que vem para a Alemanha!
E eis o que postei na nossa comunidade do orkut!

Aos amiguinhos partindo… …chegando

Hoje acordei e não consegui controlar um sorriso, fiquei rolando na cama e não consegui me segurar e vim correndo para o computador para compartilhar. É hoje!
É hoje que mais 3 amiguinhos queridos se jogam no mundo e começam a viver uma nova fase, vão conhecer coisas novas, passar por dificuldades e aprender muito. Vão aprender que até mesmo da saudade se pode tirar coisas boas. E por isso hoje acordei mais feliz, não só porque Érica, Poliana e Thiago estão vindo para mais perto de mim, mas também porque estão dando um passo diferente na vida, um passo bem grande, do tamanho de um oceano.
Às famílias e aos amiguinhos que ficam com o coração apertado que saibam que cada incerteza faz crescer. O fato de nem saberem onde vão dormir, como vão conversar em línguas diferentes, o que comer, o que fazer… …o fato de ser tudo novo. Todas essas dificuldades ajudam a pessoa a se desenvolver, a aprender, a conhecer. A europa é uma aula de história e cidadania a cada esquina, o que importa não são somente as aulas de inglês ou de urbanismo e sim o indescritível fato de se aprender sempre.
Mas, é tanto tempo! É tão longe. A distância e o tempo fazem a saudade enorme, e da saudade e das lágrimas tira-se a superação, e quanto maior a saudade for, significa que maior é o amor e portanto maior deve ser o apoio a essa decisão que os 3 tomaram. Sintam orgulho, pois é o que eu sinto.
Seis meses, um ano, dois anos é pouco tempo! É uma fração muito pequena de nossas vidas, e passam rápido. Eu parti há mais de um ano, e tudo o que aprendi e cresci parecem não caber nos cerca de 400 dias que vivi aqui.
Estou muito feliz, e que se jutem a mim, Dé e Malu; e não desejo sorte, porque quem é inteligente não precisa de sorte para ganhar nada. Desejo dificuldades e obstáculos! Daí sim o resultado vale a pena!
E eis um pouco do que eu vivi nesse ano que passou:
Viagensforam 16 países, 15 línguas diferentes e muita história pra contar
(Suécia, Finlândia, Estônia, Letônia, Noruega, Dinamarca,
Alemanha,  Holanda, Bélgica, Espanha, Rep. Tcheca,
Eslováquia, Hungria, Áustria, Grécia e Inglaterra)

Fim do primeiro ano letivo e o sol que nunca se põe!

30 Maio 2009 by

Mais um mês se passou, e eu vou continuar tentando manter o blog vivo! Hehe…

Ontem entreguei meu último trabalho e estou literalmente de férias, ainda espero a nota de três matérias, mas a sensação de verão é ótima! Principalmente nesse fim de semana, após a última entrega e 22 graus (positivos!). Porém, estamos chegando perto do solstício de verão, e aqui é tão cruel quanto o de inverno, mas agora ao contrário. Isso quer dizer que as noites estão cada dia menores, até chegar o dia que não existirá noite, como estamos no sul isso não dura 3 meses, como no norte da Suécia. Há algumas semanas anoitecia próximo das 9 da noite, e hoje já não anoitece mais. O sol nasce, sobe, dá um volta no céu, quica no horizonte e volta pra cima denovo!

Sim! Na quinta saí para tomar uma cerveja, já era tarde, quase meia noite e percebemos que o céu ainda estava escurecendo, com cara de 6 da tarde. Quando saímos do bar, uma hora depois percebi que ainda estava com cara de 6 da tarde, daí me toquei: Não tem mais noite com escuridão total. É bonito, mas muito estranho.

Ontem tivemos uma festinha de despedida da minha sala, fomos na casa de um amigo que mora no prédio mais alto da cidade, são só 13 andares mas fica no topo de um morro. Subimos no terraço no topo do prédio, muito lindo, dá pra ver a cidade inteira até o mar, e pudemos apreciar o pôr-do-sol por mais de uma hora! O sol anda de lado no horizonte. Sabe quando vemos um pôr-do-sol lindo, batemos 3 fotos e pronto, o sol some? Pois aqui ele fica parado no horizonte, hehe. Bom, depois da festa fomos denovo para um bar, só os amigos mais próximos, voltamos 3 da manhã, e o sol nascendo!

Hoje não tem uma nuvem no céu e vamos aproveitar o sábado á la sueca. Churrasquinho no parque! O povo leva cerveja, uma churrasqueiras descartáveis e sentam na grama por horas. Nós que temos sol sempre enjoamos e vamos procurar uma sombrinha, mas os suecos ficam lá torrando no sol, pois nunca sabem quando vão poder ver o sol (sem nuvens) denovo. O bom é que até 10 da noite ainda dá pra tomar sol. Prometo mais fotos.

Esse é o último fim de semana do Stelios na Suécia, na terça ele volta pra Grécia, então vamos aproveitar bastante. Foi incrível o quanto nos demos bem, acho que seria impossível um flatmate melhor que ele, sempre de bom humor, e o melhor é que ele aguenta o meu mau humor de boa. Com certeza vou sentir falta dele por aqui, mas não vou ser o único a não voltar pra casa durante o verão, então companhia não vai faltar.

Agora vou sair um pouco da frente do computador e aproveitar o dia, e de bermuda! Será o segundo dia que vou sair de bermuda em 9 meses.

Primavera

25 Abril 2009 by

Agora sim eu realmente entendi o que é primavera! Há um mês eu já estava ficando cansado do frio, muita roupa, luva, gorro, cachecol… as vezes dava até dor no corpo de tanta roupa. Enfim, é o que os suecos dizem, quando o inverno está acabando você quer que chegue a primavera, e quando o verão está acabando você está cheio do calor e não vê a hora de um friozinho.

Pois bem, o calor chegou! Sim, é calor… apesar de hoje estar 17 graus foi o dia mais quente desde que cheguei na Suécia, e pude sair pela primeira vez só de camiseta, dá vontade de ficar na sacada do apartamento o dia todo tomando um solzinho. O melhor é que não é muito quente, não incomoda.

A primavera chega a ser engraçada, de tão perfeita. Parece que apertaram um botãozinho e tudo começou a mudar. Nascem flores de qualquer lugar, está tudo colorido, e a cada semana uma árvore brota, já está tudo muito verde. Inclusive muita gente tem problema de alergia por causa da quantidade de pólem no ar, ainda bem que não me atacou. E junto com o calor os Suecos resolvem sair de casa, qualquer dia e hora você encontra uma família, um casal, ou amigos sentados pelos gramados da cidade. Comendo, bebendo, conversando! Ontem fomos almoçar um lanche sentados na grama na beira de um canal no centro da cidade. A quantidade de pássaros é íncrivel, e por estarmos perto do mar tem muitas gaivotas. Os pássaros cantam tanto que chega a irritar. E com tudo isso parece que a população da cidade dobrou, está tudo mais cheio.

Hoje a seleção feminina de futebol do Brasil enfrenta a Suécia aqui em Gotemburgo. A cidade deve estar lotada, e além disso o parque de diversões reabre após estar fechado para o inverno. A verdade é que não dá mais muita vontade de ficar em casa no computador. Principalmente porque já estou cansado da faculdade, já não vejo a hora de acabar esse ano, e só faltam 4 semanas. Aliás, ontem já fez 8 meses que estou por aqui. O tempo voa.


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