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A Suécia não é perfeita?

28 Agosto 2008

Ontem fui à faculdade para fazer um “tour”, que faz parte da programação do comitê de recepção dos estudantes internacionais. Na verdade fui lá para conhecer a biblioteca, e acabei encontrando uns conhecidos na frente e fiz o tour com eles. Um veterano vai levando um grupo de umas 30 pessoas e vai explicando o que é o que. Foi bem bestinha, mas pelo menos passei por toda a faculdade, aprendi umas curiosidades idiotas e conheci gente, que foi o mais importante, alemães e franceses, muitos franceses.

Depois fui com o Rafael e o Roberlei (brasileiros) às compras, eles precisavam de celular, e eu preciso dar uma olhada em tênis e roupas. Algumas coisas bem caras, outras baratas. E finalmente resolvi meu problema das tomadas, comprei um fio novo pro laptop, com a tomada européia. No fim não comprei nada, mas pesquisei. Acabamos o dia tomando uma cerveja na Avenyn, o centro comercial de Göteborg. Que lugar fantástico, cheio de gente bonita, poucos carros, muitos bondes passando, e umas calçadas enormes com mesas por todo lado. E prédios históricos por tudo. Ainda não tirei nenhuma foto.

Cheguei em casa correndo pra encontrar o pessoal do escritório online, não sei se todos sabem, mas continuo trabalhando pro mesmo escritório de SP, a distância. Só que estava rolando uma despedida do Matias (que foi pra Austrália hoje), mas o próprio não estava. Estavam os pais, o Simon (o de 13 anos) e o irmão mais velho, o Anders, com a namorada (já fiz muito lembrando o nome dele). E eles me chamaram para tomar um vinho e sentar à mesa. Não pude negar.

O vinho vem numa caixinha que deve ser de tetra pak e tem uma torneirinha, maior loucura, disseram ser coisa de sueco. Aliás, algo bem sueco é uma espécie de tabaco embalado em pacotinhos tipo de chá, mas menor. Uma almofadinha que se coloca entre o lábio superior e a gengiva, acima dos dentes, e lá deixa. Dizem que dá o efeito do cigarro sem câncer de pulmão (ótimo né?). É bem comum aqui, muita gente é viciadíssima, inclusive pessoal daqui de casa. Achei bem nojento, pq depois ficam os saquinhos babados, mas pelo menos não incomoda não-fumantes.

Começamos a conversar, todos numa simpatia ímpar, sorrindo e fazendo milhões de questões sobre o Brasil. Discutimos muito sobre política e eles me explicaram a situação de imigrantes por aqui, nos últimos anos o governo tem aceitado muitos refugiados de guerra, principalmente árabes, e não estão dando conta de absorvê-los na sociedade. Enquanto Finlândia e Dinamarca recebem cerca de 3 mil por ano, a Suécia está aceitando 20 mil. O governo dá moradia e uma ajuda de custo para viverem, e lógico que os terceiro-mundanos abusam; registram 10 filhos ao invés de 2 e ficam recebendo do governo e assistindo tv o dia todo. E logicamente a população não está gostando dessa situação. Eu perguntei o que eles acham das faculdades receberem milhares de estudantes estrangeiros para estudarem de graça, e eles disseram que se for para vir a Suécia com uma finalidade (como estudar), somos mais que bem vindos, “traga seus amigos” me disse o Anders.

Fiquei impressionado como eles reclamam de tudo também, coitadinhos, nem imaginam como é o Brasil. Eu tentei expor que eles têm tudo perfeito: transporte, saúde, educação. Mas acho que é natural do ser humando reclamar, quanto mais se tem, mais se quer! Sobre o Brasil, logicamente perguntaram porque sou tão branco, e não sou como Ronaldinho. Não julgo esse tipo de pergunta, afinal os brasileiros confundem a Suécia com Suíça. Expliquei um pouco de toda micigenação que existe no Brasil. Perguntaram também de crimes, carnaval, e outras coisas. Enfim, foi agradabilíssimo, me prometeram vários passeios, querem me levar para pescar crayfish, uma espécie de lagosta menor, e falaram que vou ter que comer. Humm, sei sim suecos! Justo eu.

Quando percebemos já era meia-noite e estávamos falando altíssimo e rindo de tudo.