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Afinal, o que você foi fazer na Suécia? – Versão da Débora

5 Setembro 2008

Seguindo a idéia do meu querido amigo Azul, que embarcou junto comigo não só na idéia de vir pra Suécia, mas em todos os passos que tivemos de dar até chegarmos aqui, eu também já respondi mais de um milhão de vezes perguntas como: “Mas porque na Suécia?”, sempre seguida de um comentário em relação ao frio. Além dessa pergunta fui indagada, na maioria das vezes com indignação, do porquê fazer um mestrado, sendo que para isso eu estaria deixando meu emprego e tantas outras coisas para trás… bem… eu poderia escrever uma tese sobre essa decisão, mas acho que algumas linhas serão suficientes aqui nesse blog.

Começando pelo começo, minha primeira necessidade antes de procurar um mestrado era o inglês fluente, quando eu digo fluente eu quero dizer fluente mesmo, e não o inglês turístico que eu tinha… muita gente ainda não se deu conta de quanto ter uma segunda língua (no mínimo!) é importante, talvez porque uma porção muito pequenada população brasileira fale inglês, mas tenhamos como grau de comparação que uma grande parte da população brasileira não fala sequer o português fluente, pois bem, eu precisava do inglês fluente para vislumbrar algo maior pra minha carreira e não queria simplesment fazer X meses de um curso de inglês fora do Brasil, assim eu precisava de uma alternativa que agregasse algo compensando o tempo que eu teria que parar, sendo que esse parar significaria abrir mão de meu emprego que eu tanto gostava.

Pois bem, eis que um dia, um amigo meu, que já morou na Suécia, me mandou um email com um link, um mestrado em TI (tecnologia da Informação) com foco em business, exatamente tudo o que eu queria com relação a conteúdo, e esse mestrado era na Suécia e por acaso eu não precisaria pagar para fazer esse curso, e as aulas eram ministradas em inglês. A princípio achei que era coisa de gente louca e simplesmente deixei o email lá.

Algum tempo depois, numa das conversas de boteco com o Azul joguei a pergunta, “E aí tá a fim de fazer um mestrado na Suécia?” e como só tenho amigos idiotas, eis que o Azul gostou da idéia e no mesmo dia estava mais empolgado que eu, sendo que começamos a enumerar um milhão de motivos do porquê TÍNHAMOS que investir nessa idéia.

Agora que já contextualizei o início do processo de vir pra Suécia serei mais objetiva em relação aos motivos que me baseei pra vir pra cá:

1) É de graça; sim, infelizmente ainda não sou rica, e pagar uma excelente pós-graduação em São Paulo do jeito que eu queria custava simplesmente uma fortuna, só a mensalidade era bem mais do que eu estou gastando aqui mensalmente.

2) Aulas em inglês, só se eu for muito burra pra não conseguir o inglês fluente depois de dois anos vivendo aqui, incluindo a elaboração de uma tese de mestrado todinha em inglês.

3) A Suécia é mundialmente reconhecida como um dos países mais desenvolvidos do mundo, desenvolvido em todos os sentidos, não só tecnologicamente, mas também nos campos da educação, da sociedade, da cultura, da qualidade de vida, etc…, e como a maioria das pessoas, eu estava no limite do stress de viver no Brasil, ouvir todo dia no rádio as safadezas de nosso políticos ao mesmo tempo que alternava entre a primeira e a segunda marcha no infinito trânsito que eu enfrentava ida e volta do trabalho todos os dias, tudo o que eu queria é sair do país e dar um tempo de tanta ignorância, de novelas, de carnaval, de futebol, e de uma cultura que acha que o sucesso é medido pelo carro que você tem.

4) Viagem, claro que o prazer de viajar para a Europa estava incluso nos motivos, a possibilidade de conhecer todos os lugares que eu sempre quis aqui no velho mundo.

5) Diploma, querendo ou não o título de mestre irá de qualquer jeito me beneficiar, pois com ele tenho a possibilidade de dar aulas em universidades, ou seja, de fome eu não vou morrer.

6) Desafio, foi um desafio pessoal pra mim, não só conseguir a pontuação no TOEFL e tudo mais no processo para conseguir a vaga, mas conseguir me desapegar da vida confortável que eu tinha em São Paulo, amigos, família, lazer e o que foi mais difícil pra mim; largar meu emprego.

7) TI, apesar de ser formada em engenharia elétrica, me apaixonei pelo mundo da tecnologia da informação que era com que eu trabalhava desde que eu me formei, porém eu achava que precisava de mais conteúdo pra ir mais longe e não me tornar o tipo de profissional ignorante que eu tenho horror.

A princípio são esses os principais motivos que me trouxeram até aqui, e uma vez aqui, eu poderia enumerar mais dezenas de tópicos dizendo coisas que eu nem imaginava ser tão importantes e que foram as primeiras coisas que dei valor aqui, não só na parte academica, mas principalmente na parte pessoal e cultural. Posso citar de bate-pronto a mais importante; gente do mundo inteiro morando e estudando com você. Quero esperar mais um pouco pra escrever sobre isso.

Tenham uma excelente sexta-feira!