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Fim de semana fantástico

31 Agosto 2008

Finalmente o tempo melhorou e voltou a ficar com cara de verão, limpou o céu e fez bastante sol, mas em Gotemburgo venta muito e sempre está geladinho, se for sair de casa para voltar só de noite sempre levo um casaco, além da blusa que já estarei usando. Foram raras as vezes que fiquei de camiseta aqui.

O fim de semana foi fantástico mesmo, não estava achando outro nome para o título do post. Na sexta finalmente consegui fazer o “library tour” para conhecer a biblioteca, que também é parte da recepção dos estudantes internacionais. A mulher que explicava falava tão baixo que não entendi várias coisas, mas isso eu vou aprendendo com o tempo. Só para terem uma noção da biblioteca você faz a reserva de um livro pela internet, e quando for buscar ele já estará lá numa estante, separado e marcado com seu nome. Você pega o livro, passa seu cartão da biblioteca (como se passa um cartão de crédito) e coloca o livro sobre uma mesa que registrará o livro. Eu posso requisitar qualquer livro de qualquer biblioteca sueca, eles têm um sistema integrado que fará com que o livro chegue até mim. Além de milhares de livro disponíveis em pdf na internet.

Depois de lá fui encontrar uns 100 estudantes para o “after work”, é o famoso happy hour. Aqui você compra cerveja e ganha comida. O bar ficou tão lotado que acabaram os pratos e tivemos que comer em pratinhos de papelão, péssimo. A cerveja aqui é mesmo mais forte, algumas chegam a ter mais de 7% de álcool. Eu sentei com o Bence (o húngaro que é da minha sala), o Alex (o russo também da minha sala), o Rafael (o brasileiro), um francês e três iranianos. No fim dois deles foram embora e o Bence teve a brilhante ideia de pegar um tram (bonde) qualquer e ir até o destino final. Pegamos o que ia para mais perto do mar. Não é bem mar, é uma foz. Chegamos no tal lugar, chamado Salthomen, e concluímos que foi a melhor coisa que fizemos. Salthomen é um cais, o ponto final e a conexão com barcos, que também são parte do transporte público, pois têm vilarejos em diversas ilhotas. Era finzinho de tarde e o sol estava se pondo por entre as tais ilhotas, sempre algum barco passando e centenas de barcos a vela estacionados no cais. Tirei uma foto e minha máquina quebrou! Ótimo não? Mas eu realmente preciso comprar outra, mas não queria que fosse tão cedo.

O sol se pôs e fomos de volta pra cidade, iríamos para a primeira festa na Suécia. Coincidentemente a festa era no condomínio do Rafael. São diversos prédios de 2 andares, cheios de estudantes e praças, gramados, playgrounds e o Olof Café, o local da festa. Acho que tinha uns 50 metros quadrados, felizmente dava para ficar fora, e ali ficou a maioria das mais ou menos 200 pessoas. De diversos países diferentes. A festa foi organizada pela internet, no grupo do Erasmus (intercâmbio entre faculdades européias) no facebook (um tipo de orkut), e todo mundo acabou indo. Conheci mais algumas pessoas, encontrei alguns já conhecidos, e o mais engraçado é você ver pessoas que já conhecia só pela foto do facebook. O mais engraçado foi conhecer um sueco que falava português de portugal, uma simpatia. Fui embora andando sozinho, como eu já disse, Göteborg (Gotemburgo em sueco) tem muitas áreas verdes, algumas parecem matas intocadas, e para cortar caminho você sempre passa pelo meio delas, é tudo aberto, não existe grade e muito menos muro, no máximo uma cerquinha. Então você corta caminho pelo meio dos prédios, que são sempre espaços semi-públicos. Devia estar uns 10 graus e a cidade estava bem vazia, só taxis passavam nas ruas, aqui a lei seca realmente funciona, aliás não só essa lei, mas todas.

Acordei e o Lars e a Lotta (descobri que é apelido, diminutivo de Charlotte) estavam limpando a casa, aquela limpadinha européia, só passa um paninho no banheiro, um aspirador de pó e pronto. Mas a casa realmente nunca fica suja, porque as janelas ficam sempre fechadas, mas as janelas são enorme e a casa não cheira mofo, o clima é todo diferente.

Tomei café, aliás, pegando carona no tópico da Dé sobre o café, é realmente mais fraco, mas eles tomam sem açúcar, já até acostumei, eu já quase não colocava açucar no café no Brasil. O Lars me chamou para irmos ver o Simon jogar bola. Achei que fosse uma pelada, mas não. Eram times mesmo, um bando de pentelhinhos loiros correndo atrás da bola, com uniformes, juiz e técnicos gritando. O Simon é o número 10 do time, e ele realmente fez a diferença, fez 3 gols no primeiro tempo e depois foi substituído, porque está gripado, os pais dele nem queriam que ele jogasse. O jogo acabou em 5 x 0 para eles, e olha que eles nem eram tão melhor que o outro time, no começo achei que eles fossem perder feio.

Depois do jogo o Lars e a Lotta me levaram para dar uma volta de carro pela cidade, foram dando de guias turísticos e me mostrando cada ponto, parques, prédios, museus, e eles falaram que é bom quando isso acontece porque eles nunca se dão conta de como Göteborg é maravilhosa. Me levaram a um mercado de peixe, a grande tradição nórdica é sempre pescar, eles são apaixonados por peixes, justo eu né… mas foi legal, eles são muito prestativos. Depois eles me pagaram uma pizza, e aqui pizza é como na Itália, se você for comer em três pessoas, então pede-se 3 pizza, é uma pra cada. Mas acho que as pizzas são mais leves, porque dá para comer tranquilo uma inteira. Mas é engraçado, cada um com um prato com uma pizza inteira, as bordas ficam pra fora do prato, hehe.

O fim de semana ainda não acabou! Depois encontrei o Bence, o Alex e o Eduardo (outro brasileiro que conheci na festa de sexta) e fomos para a casa do Rafael fazer um esquenta, afinal ontem foi a FestU, a primeira grande festa oficial de Chalmers (minha faculdade). O Alex, como um bom russo, só tomava vodka pura, sempre na maior naturalidade. Ficamos umas 3 horas na mesa conversando, comendo e bebendo. Fomos para a festa já devia ser umas 10 horas. A festa foi no student union, tipo um centro acadêmico, só que um pouquinho maior que o da Unesp. Três andares inteiros e mais um subsolo, acho que dá mais de 5 vezes o tamanho da biblioteca da unesp de bauru, tem cafés, um pub, restaurante… enfim, é enorme, é super bonito. Pois estava lotado, ao contrário do Brasil aqui os convites de festas esgotam, quem não comprou a tempo, não foi. Assim é possível andar e respirar dentro da festa. Encotrei muita gente que já conheço. Acho que a festa tinha uns 5 ambientes. Nem imagino quantas nacionalidades estavam ali juntas, fica de lado sua raça, sua cor, sua religião, o que importa é compartilhar costumes e vivências. Quando se conheçe alguém, a primeira pergunta é: De onde você é? E a resposta abre uma conversa interminável e interessante. Bom, passou só uma semana, as vezes esqueço que vivo aqui, não caiu a ficha. Mas amanhã as aulas começam, mal posso esperar para conhecer todo pessoal da minha sala.