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Domingo tradicional sueco

14 Setembro 2008

Mais uma vez vivi um fim de semana bem sueco! Acho que só estou vendo vantagens em morar com uma família daqui, assim posso aprender um pouco da cultura deles.
Ontem fomos a um parque enorme, chamado Slottskogen; eu, Stelios, Lars, Lotta e Simon. O parque tem mais de um quilômetro de ponta a ponta e abriga um pequeno zoológico com animais daqui. Caminhamos até passarmos por todas as jaulas, vimos alces, renas (sim, do papai noel, ele é da área), focas e alguns pássaros. Depois tomamos um café, sempre forte e sem açúcar. Estava acontecendo uma corrida no parque, de 5 quilômetros, vários participantes passavam por nós com números nas costas. Eles praticam muito esporte por aqui, principalmente por hobby.

Eu e o Stelios resolvemos sair ontem, tinha uma festa gigante na faculdade, mas como íamos viajar esse fim de semana não compramos convite, aqui é assim, sempre tem um número de convites disponível, se acabar você não entra. Acho ótimo, pois os lugares nunca são lotados. Bom, como não tínhamos convite fomos num esquenta na casa de brasileiros, tomamos umas cervejas e demos muitas risadas. Alguns foram para a tal festa, outros ficaram; e eu e o Stelios fomos para o centro. Pegamos uns bondes errados mas chegamos. As ruas são sempre lotadas de noite; mas só comemos e voltamos para casa, afinal o domingo prometia.

Hoje acordamos as nove pois íamos pescar as famosas “kräfta“, uma mini-lagosta que se encontra às milhares nos rios da Suécia. Fomos eu, Stelios e o Lars. Pegamos a estrada por mais de uma hora, a pista é perfeita, como as de São Paulo, mas aqui são públicas e não existe pedágio, é simplesmente um dever do estado garantir o bom estado das rodovias. A paisagem é sempre bucólica, florestas intermináveis de coníferas, o sol batendo forte e 10 graus celsius. Pegamos uma vicinal e chegamos a Svenljunga, um vilarejo pacato com casarões de madeira bem espalhados por gramados. Entramos no meio da mata por uma estradinha de terra e logo chegamos ao local da pescaria, o rio Ätran.

Descemos a encosta e chegamos a uma lona com cadeiras, ármarinhos e varas de pescar. Achei que alguém já ocupava o lugar, mas não, a propriedade é privada e as pessoas alugam para a temporada. O Lars alugou 100 metros por 2.000 coroas suecas, cerca de 500 reais; durante todo o verão aquele espaço é dele e da família, podem ir lá pescar o quanto quiserem e a lona com as cadeiras eram deles. Eles montam no primeiro dia que vão pescar e retiram no último. – Mas ninguém mexe? É claro que não, aqui se uma coisa não é sua, você não coloca a mão, inclusive raramente eles trancam os carros na rua ou em estacionamentos, dificilmente alguém vai mexer. Mas voltando à pescaria, o kräfta não é pescado com vara, e sim com pequenas jaulas de arame e tela; coloca-se um pedaço de peixe morto espetado num arame dentro e joga-se a jaula no fundo do rio. Os kräftor (sim, o plural em sueco é bem diferente, geralmente com R no final) entram por uma espécie de cone e depois não conseguem sair. Eles são atraídos pelo cheiro da carne do peixe. Dái esperamos cerca de uma hora e meia e fomos retirar as jaulas. Por sorte um dos filhos do Lars tinha deixado algumas jaulas armadas na semana passada, e já tinhamos retirado cerca de 30 kräftor, pois hoje só pegamos quatro. Mas também porque deixamos pouco tempo as jaulas. Colocamos todos no mesmo balde, eles são lentos, mas se pegarem seu dedo com a pinça com certeza vai fazer um belo corte.

Kräftor no balde

Enfim voltamos para casa e fui acompanhar o processo para o preparo dessa iguaria tradicional sueca. Deixa ferver por dez minutos numa panela grande água com cebola, açúcar, sal, cerveja preta e endro (sueco: dill), uma erva muito tradicional usada para temperar. Depois, joga os kräftor vivos na panela, oito por vez e deixa ferver por três minutos. Eles nem limpam os bichos, do balde vai direto pra panela, e depois de cozidos eles ficam vermelhos e com uma aparência mais agradável. Depois deixa esfriar e pode congelar. Pode-se comer logo após, mas o Lars disse que gosta deles frios e que só vai comer amanhã. Comem as patas, o rabinho e uma parte do corpo, a cabeça é venenosa e tem gosto horrível, mas isso tudo ele me disse, pois eu jamais colocaria um bicho daquele no meu prato.