Em minha primeira postagem no Norteando, preciso agradecer à Debora e ao Douglas (quanta formalidade) pela gentileza de me convidar para ser um colaborador deste espaço que acompanhei desde o começo. Espero enriquecer o blog com textos interessantes que informem e que transmitam a idéia do que é cruzar o Atlântico para ser um cidadão do mundo aberto a novas experiências, novos hábitos e uma nova vida.
É incrível imaginar que há meses atrás eu estava ainda no Brasil acompanhando os passos de vocês, desde a escolha das universidades, o envio dos documentos, a ansiedade e expectativa da espera dos resultados, a alegria em ser aprovado, a viagem, as novidades… as inúmeras novidades, alegrias, percepções, impressões, experiências que enriqueceram e mudaram cada um de vocês para melhor.
E agora estou aqui na Alemanha. Nesse primeiro post quero tentar descrever as primeiras impressões que tive nesta primeira semana em Berlim. A cidade é extremamente viva, muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo como, por exemplo, exposições, festivais, shows, manifestações, festas, eventos esportivos… Aqui ruínas do Império Romano-Germânico disputam espaço com igrejas e castelos da Idade Média, as tristes e eternas lembranças do Terceiro Reich e a posterior divisão do país rodeadas por edíficios fascinantes e contemporâneos.
A impressão que tenho é que com a queda do muro há 20 anos atrás a reunificação física de Berlim realmente ocorreu, porém paira no ar o desejo de uma reunificação em um nível abstrato e subjetivo que talvez não aconteça jamais. Berlim é uma cidade sem unidade. A sensação ao se andar pela cidade é que inúmeras barreiras ainda existem. A abertura das fronteiras para a União Européia criou uma cidade ainda dividida, porém receptiva a diferentes povos e culturas, por isso Berlim mesmo sem uma unidade possui um aspecto acolhedor muito interessante.
Desde que cheguei estou andando muito à pé pela cidade, pois estou a procura de um quarto em uma WG (Wohngemeinschaft) – como eles chamam as “repúblicas” de estudantes. Ainda não encontrei meu lugar, mas estou com esperanças de que não passará da semana que vem. Dentre os habitos curiosos: sempre ao chegar a casa de alguém deve-se tirar os sapatos e deixar em um pequeno ármario que fica no hall de entrada de todos os apartamentos. Ontem fui a um encontro de amigos e todos dentro do apartamento estavam bebendo cerveja de meias. Todos sempre reclamam da frieza e impessoalidade do povo alemão, mas por enquanto não tive problemas com isso, pelo contrário, todos foram muito gentis comigo.
Amanhã sigo para Dublin para encontrar a Malu, Érica, Poli, Azul e Débora. E estamos apenas começando!
Liebe Grüße!